
4 a 18 de maio- Número I
Nota: Como o site estava meio parado decidi fazer um clipping quinzenal de notícias relacionadas à educação. Quem quiser, pode assinar para receber por email.
Educação e Professores - Mundo
França: Depois dos professores ingleses, agora é a vez dos professores franceses marcarem uma greve. A semana 13 a 17 será de mobilização, com greve no dia 15. As demissões e reformas pedagógicas do governo Sarkozy são a grande motivação.
Estados Unidos: Diversos jovens professores na região de Washington DC estão encontrando problemas por causa de informações em seus perfis pessoais em sistemas como Facebook e MySpace. Há páginas com conotação sexual e professores que trabalham com deficientes fazendo piadas sobre os mesmos.
Muitos distritos pelo país estão usando esses perfis para entrevistas de contratação de professores.
Administração Escolar
Faltas docentes: Como diminuir o absenteísmo docente? Sabe-se que faltas docentes afetam o desempenho, mas ainda não há um consenso entre as práticas que podem ser usadas para tal. Muitos economistas sugerem prêmios para faltas não utilizadas, que inclusive podem ser dias na aposentadoria. Certo, quem é de São Paulo lembra-se que isso era um dos fatores do bônus, mas isso nunca foi aplicado de forma precisa(Muitos professores que não faltavam reclamavam de ganhar menos de quem faltava).
Mas há outras sugestões sendo aplicadas pelos Estados Unidos. Pesquisadores sugerem que o professor seja obrigado a relatar suas faltas médicas diretamente ao diretor, que seria treinado para explicar como que isso afeta o desempenho escolar. Em Chicago, escolas com alto número de faltas são monitoradas para se pesquisar a moral dos docentes e a liderança e o apoio da direção. No distrito escolar de Salem-Keizer, no Oregon, as três faltas permitidas aos docentes(Nossas abonadas) não podem ser usadas em véspera de feriados e férias.
As professoras reclamam, claro, uma vez que precisam de licenças para os filhos também. Mas como diminuir essas faltas sem sobrecarregar os professores que de fato necessitam faltar por razões médicas?
Remuneração por mérito: Não há palavra mais usada na educação brasileira no momento e recentemente a Revista Época chamou dois acadêmicos(Um economista e um pedagogo para discutirem o assunto) Meu ponto de vista parte por três pontos:
1-) Eficiência escolar é diferente de desempenho: Como todo mundo sabe, a principal variável no desempenho dos alunos são socioeconômicas, não escolares. É muito difícil separar ambos e este é um terreno perigoso que gera ainda mais incentivos para que os professores evitem escolar na periferia.
O citado Chicago Boy Eduardo Andrade, Gilberto Dimenstein e outros defensores da idéia simplificam demais a experiência dos distritos americanos(Em Maryland, a recuperação por mérito é criticada por ter feito que os docentes se preocupassem mais com os testes padronizados que com desempenho). O ponto não é a tal gratificação, mas sim como aplicá-la.
2-) Remuneração por mérito é recompensa, não punição: Francamente, remuneração por mérito deve ser usada para se recompensar boas iniciativas. Se o professor é culpado por faltas administrativas graves(Exemplo, excesso de faltas) deve sofrer um processo administrativo, não ganhar menos bônus que os colegas.
Prêmios por presença docente devem ser feitos exclusivamente sobre presença, não fazer parte da remuneração por desempenho.
3-) Antes de se falar em remuneração por mérito, bem, deveriam aplicá-lo na contratação de professores: Na maioria dos sistemas escolares da rede pública a principal forma de se pontuar os docentes é pela senioridade. Tirando os concursos, cursos de mestrado e doutorado as chances de evolução funcional por vias que não sejam tempo de sala de aula são pequenas. Mesmo assim, limitadas.
Por exemplo, na rede estadual de São Paulo um professor com doutorado consegue dez pontos, que é mais ou menos a quantidade de pontos que um professor consegue por sete anos em sala de aula. Há professores temporários com vinte anos de magistério que nunca foram testados de fato, seja num concurso, seja em alguma prova(E sim, os concursos brasileiros são na sua maioria péssimas formas de se selecionar docentes).
Para os temporários, a pontuação é o que muitas vezes o separam do desemprego ou de uma jornada dividida por três escolas. Para os concursados é a chance de escolher uma escola mais próxima de casa. Antes de se falar em remuneração por mérito deveria-se ampliar o leque de maneiras que um professor têm de ampliar sua pontuação.
Por fim: Na iniciativa privada(Certo, educação não é mercadoria, mas isto é força retórica) o único ramo que gratificações por mérito(No caso, as comissões) são usadas de forma a prover a maior parte do salário é na área de vendas. E aí não só por incentivo, mas pelo fato dos lucros serem menores quando as vendas o são. Na produção, aonde a relação entre produtividade e lucro é menor, bem, essas gratificações o são também.
O discurso de se substituir aumentos no salário-base por aumentos tendo como base o mérito, bastante comum em São Paulo, não faz sentido porque ela não é aplicada de forma extensiva nem na iniciativa privada.
Pesquisas didáticas
Matemática: Pesquisadores da Universidade de Ohio descobriram que o uso de exemplos concretos em problemas de matemática é prejudicial à aprendizagem dos alunos. Por exemplo, problemas usando exemplos como pedaços de torta e estações de trem fazem com que os alunos pensem em tortas e trens, não nos conceitos matemáticos necessários.
Arte-Educação
Música: O assunto da obrigatoriedade do ensino musical nas escolas tem sido notícia por causa da pressão de diversos músicos. Ano passado, a aprovou a obrigatoriedade do ensino de música nas escolas. Pelo que se entende da lei ela não cria um novo componente curricular chamado “Música”, que em tese ainda poderia ser um componente da matéria de artes, ao mesmo tempo que se exige professores com habilitação específica na área.
Em tese, isso exigiria que os arte-educadores trabalhassem com música também(Muitos não incluem isto nos conteúdos a serem trabalhados), mas ainda não entendi como que combinar isso com a “formação específica na área”.
Por mais que eu entenda a necessidade do ensino musical com gente com formação musical, meu medo é que isso incentive a criação de faculdades a toque de caixa com cursos de licenciatura em música sem muitos critérios(Certo, mal que já assola a arte-educação como um todo). A quantidade de licenciados em música é pequena.
E resta saber como que as secretarias de educação e escolas se adaptarão à mudança na LDB.
Artes Visuais
Goya: O Prado abriu a exposição “Goya em tempos de Guerra” em 15 de abril sem um quadro importante: o “Colosso”, de 1808. Se o quadro seria visto como uma obra prima, inclusive por nomes como Charles Baudelaire, hoje surgem dúvidas sobre sua autenticidade. Seria talvez uma das maiores fraudes ou enganos de toda a História da Arte.
Por sua vez, o museu sofreu críticas por não ter permitido que os visitantes tomassem sua decisão.
Turner: J. M. W. Turner, o paisagista inglês creditado por ter inspirado Claude Monet pode ter um leilão de sua obra alcançando recorde de preço. O quadro “A Villa de Pope em Twickenham” vai à leilão por um preço mínimo de 5 milhões de libras esterlinas(Ou quase dez milhões de dólares), mas muitos estimam que o quadro pode alcançar lances de 17 milhões de libras(Ou 33 milhões de dólares). Seria a obra inglesa a ser vendida pelo maior preço.
O leilão ocorre em Londres, 9 de julho, pela Sotheby.
Políticas Educacionais - São Paulo
Adicional por Local de Exercício - O Adicional por Local de Exercício é um adicional de cerca de 20% para escolas da zona rural e nas zonas periféricas das grandes cidades que apresentem condições ambientais precárias, localizadas em região de risco ou de difícil acesso.
O governo de São Paulo fez uma “atualização” das escolas que recebiam o benefício, sofrendo várias críticas. É preciso fazer várias ressalvas aí: o governo errou ao considerar apenas os índices da região abrigada pela escola, não do bairro(Explicando o fato de escolas muito próximas entre si ganharem e não ganharem o benefício). Também errou ao excluir cidades com menos de 300 mil habitantes da lista, o que exclui subúrbios pobres de grandes cidades(Exemplo, Varzea Paulista, Campo Limpo Paulista, Sumaré, Hortolândia, etc). Ironicamente, São Sebastião e Caraguatatuba, duas das cidades com maiores indices de homícidio pela proporção da população também.
Mas é preciso fazer uma ressalva com relação às críticas: o ALE é importante para servir de incentivo para que os professores escolham escolas na periferia, não por ser um benefício. Se a questão é benefícios para os professores o ponto deveria ser aumento salarial.
Querer que o “benefício” seja estendido a todas escolas, como defende a APEOESP, é loucura. Seria matar o grande atrativo da política. E por mais se possa alegar que todas as escolas estaduais tenham condições de trabalho ruins não é tudo igual. Não dá para dizer que as condições de trabalho de uma escola no centro de Botucatu e no Capão Redondo sejam as mesmas. Pior, nem que os gastos dos professores com transporte na periferia sejam iguais.
Proposta Curricular: Isso merece uma análise mais detalhada, mas eu tenho vistos vários problemas. A proposta de Artes é complexa demais(Cita-se um semiólogo, Luigi Pareyson, a rodo no livro do Ensino Médio) a ponto de eu não saber se muitos professores entenderão o que está sendo pedido. Falta material de apoio e pior, os conteúdos das disciplinas não foram integrados entre si. Por exemplo, há conteúdos que falam de linguagem em Português, mas não em Artes. E não há nada em História da Arte em Artes para apoiar os conteúdos de História.
E o conteúdo do Ensino Médio é conceitual demais: faltam pontos práticos.