Textos e Recursos
Revolução escolar construída ao ensinar estudantes a serem estudantes

Cinco anos atrás suspensões abundavam na Webster Elmentary. Brigas ocorriam regularmente no intervalo e professores temiam ataques violentos de alunos de sexta série envolvidos com gangues. A nova diretora Jennifer White ficou chocada ao descobrir que a escola tinha tido setenta suspensões no ano antes à sua chegada, e oitenta no ano anterior.
“No meu primeiro ano, num dia às dez da manhã uma substituta estava na frente em lagrimas”, diz Becky Tewalt, uma fonoaudióloga que começou a trabalhar em Webster em 2000.. “Ela estava cheia.”
Avance para 2008. Os estudantes alegremente cumprimentam seus professores pelo nome, fazem fila rapidamente e escutam respeitosamente uns aos outros na aula. A procissão sem fim de alunos para o escritório do diretor acabou. White agora passa suas manhãs andando livremente pelas salas e filmando as melhores lições que eles tem
“Ela mudou a escola, eu estou dizendo” diz Lydia White, sem parentesco com Jennifer, uma conselheira que trabalha há trinta anos na escola. Seus olhos começam a lacrimejar. “Eles estão florescendo. Isso me surpreende.”
Os professores escrevem na lousa as instruções de um programa local que explicitamente ensina estudantes a se comportarem nas aulas. Trabalhando em cima dos esforços iniciais de Buguev para melhorar a disciplina, Jennifer White e seus professores criaram o Método Webster, que trabalha com “comportamentos escolares” como contato visual, limpeza do seu lixo e cumprimentando professores pelo nome. Algumas habilidades são geralmente esperadas mas não ativamente ensinadas, diz White.
Professores em Webster dedicam de dez a vinte minutos diariamente ao treinamento desses comportamentos e sobre porque eles são importantes. Durante o dia, eles evocam o Método Webster.
“As escolas acham que os alunos irão chegam e que eles sabem o que fazer” diz o psicólogo da escola Steve Franklin. “Em Webster, ensinar um aluno a ser um aluno é realmente importante. Nós não esperamos que eles saibam ler, fazer contas ou escrever. Então por que não estamos ensinando essas coisas também?”
Parece simples e dificilmente radical. Mas os resultados foram dramáticos. A escola de Webster viu as suspensões despencarem e os resultados nos testes estourarem desde do Método Webster. Apenas dez alunos foram suspensos ano passado. Os resultados nos testes colocam Webster no topo de outras escolas com mesma demografia no estado.
Estudantes agoram peregrinam para a escola voltada à ciências. Escolas temáticas como Webster centram seu currículo num tema e atraem estudantes de toda a cidade. Em 2003, poucos estudantes vieram a Webster de qualquer lugar, hoje metade dos seus alunos escolheram Webster ao invés das escolas próximas de casa. Educadores de Visalia[1] e Los Angeles e mesmo de Michigan visitaram Webster para ver a transformação.
“Isto é novo. Isto functional” disse Susie Althof, uma professora de educação infantil que trabalha há nove anos na escola. “E se isso funciona aqui pode funcionar em qualquer lugar.”
O Método Webster surgiu de um esforço da escola em entender a pobreza e seu impacto na educaçao. A maioria dos professores da escola são brancos. Seus estudantes vêm de família latinas e negras de baixa renda. Professores leram e refletiram textos sobre pobreza e a diferença de aprendizado, mas o Método Webster surgiu dos seus próprios esforços para observarem e documentarem o que diferenciava o seus melhores alunos. Eles fizeram anotações sobre seus alunos com melhores resultados e depois tabularam a sua pesquisa.
Os melhores alunos, eles descobriram, haviam desenvolvido um código de comportamento que equivalia ao sucesso. Eles se pronunciavam em sala de aula. Eles sabiam quando falar e quando conversar. Eles olhavam para os seus interlocutores. Estes comportamentos – não seu brilhantismo – os separava dos seus colegas de pior desempenho e permitia que eles absorvessem informação. Se a escola explicitamente ensinasse a seus alunos esses comportamentos, White pensou, eles não se sairiam melhor?
Pesquisa na preparação para a escola focou nas crianças com habilidades acadêmicas e em como elas se relacionavam com a educação dos pais, diz Pámela Davis-Kean, uma pesquisadora e professora assistente no Instituto para Pesquisa Social da Universidade do Michigan. Filhos de advogados, médicos e professores têm maior probabilidade que seus colegas de conhecerem números, letras e de ouvirem uma quantidade maior de vocabulário antes das aulas começarem.
“ Se você é filho de um técnico de basquete e começa a jogar, você irá entendê-lo melhor que garotos que nunca cresceram em torno do jogo” explica Kuby Payne, autor do livro A Framework for Understanding Poverty que os professores de Webster leram antes de desenvolver sua abordagem.
Normalmente, os esforços para diminuir as diferenças de desempenho centraram-se tradicionalmente em conseguir que os alunos em desvantagem melhorassem academicamente. Mas Webster estendeu esta jornada para ensinar “habilidades leves” e comportamentos que melhoram os aprendizado. Outras escolas de San Diego também focaram pesadamente no comportamento, incluindo as charter schools de Gomper e Keiller, que instituíram uniformes e foram influenciadas pela Amistad Academy de New Haven, Connecticut.
“Eles não ensinam isto num programa de formação de professores” diz White. “Geralmente com o comportamentos as orientação são para dizer a eles para falarem de forma clara ou não resmugarem. Como podemos ter um ambiente de sala de aula sem contato com os olhos.?”
Um dos métodos é trabalhar com papéis. Ao invés de simplesmente entregar o Método Webster como uma lista de regras os professores criam cenários. Depois, eles encorajam alunos a explorarem as razões das regras serem importantes. Antes que a classe de primeiro ano de Teri Coker embarcassem numa pesquisa sobre joaninhas, Coker e seus alunos trabalharam sobre como compartilhar as idéias que achavam nos livros da biblioteca. Enquanto fazia a apresentação, Coker alegremente anunciava “Grupo, eu encontrei um dado!” toda vez que ela descobria algo sobre joaninhas.
“Quando na biblioteca nós realmente ouvimos eles dizendo ‘Grupo, eu encontrei um dado!” Coker diz “Nós não conseguíamos parar de rir! Mas olhe – está funcionando!”
O sucesso de Webster traz implicações dramáticas sobre as ferramentas necessárias para superar o déficit de desempenho entre filhos ricos e pobres. Ao ensinar ativamente comportamentos de aprendizado Webster acredita que “decodificou” a escola para alunos de baixa renda, liberando tempo da escola para aprendizado ao invés da disciplina.
“Ninguém tinha realmente explicado isso para eles antes” diz a professora da Pré-Escola Susie Althof. “Em uma semana os resultados foram dramáticos. Era como uma tempestade tivesse passado por nossa escola. E os alunos reconheceram. Eles sabiam o que se esperava deles e que eles estavam recebendo respostas positivas por causa disso. E as crianças andavam com suas cabeças em pé. Alguém havia quebrado o código para eles.”
A tranquilidade abriu caminho para métodos de ensino que permitem aos alunos mais independencia e abriu um surpreendente debate intelctual entre os alunos. White pediu aos professores que aumentassem a discussão em classe para que os alunos que estão aprendendo inglês, que são mais de 40% dos alunos passem mais tempo falando. Alunos lêem e conversam em duplas.
Ao invés de chamar um simples aluno para responder uma questão a professora de terceira série Jeralyn Treas pediu para que os alunos em dupla se espalhassem para discutir que tipo de sentenças – declarativa ou interrogativa – estavam no teste de soletremento. A sala entrou em polvorosa. Um minuto depois, se reagruparam.
“Eu vi realmente uma conversa muito legal acontecendo – uma discussão – e eu queria que eles a compartilhassem com a gente”. Treas disse. Duas meninas recomeçaram a conversa, em que elas discordavam sobre uma resposta. Depois de conversar com sua parceira uma menina mudou de opinião.
“Ela está fazendo você pensar de forma diferente agora?” Treas perguntou: “As vezes se alguém te desafia com uma idéia você pensa “Oh, eu tenho que defender meu ponto de vista’. Mas o que ela fez é realmente confortável, não é?”
As crianças parece que encontraram a glória com o Método Webster. Na aula eles corrigem os comportamentos uns dos outros. Em casa, eles se lembram do código. A mãe voluntária Ângela McPhatter agora invoca o Método Webster quando aconselhando sua filha sobre como lidar com valentões. A vice-diretora Marisol Marin lembra de uma reunião sobre faltas em que um aluno do segundo ano era perguntado sobre a razão de não ter perdido aulas desde de ter se transferido à Escola Webster.
”Ele disse. “Eles têem este Método Webster’. E o funcionário perguntou ‘O que é o Método Webster?’”. Marin disse. A criança começou a dizer as regras, reocorda Marin. “Funciona porque você não quer desapontar seu professor ou você mesmo. É melhor que ganhar um pedaço de alcaçuz ou uma estrela no final do dia”.
Alguns professores estavam inicialmente cépticos, White se lembra. Um se perguntava se o Método Webster era apropriado para crianças que vieram de culturas que desencorajam o contato visual. É uma lembrança que parece de fato mexer com White enquanto ela se lembra do desenrolar do programa.
“Se você acredita que algum pai fosse ficar infeliz, então os chame e pergunte” White se lembra dizendo. “Porque ao contrário você está perpetuando a pobreza. Meu marido, o homem de negócios, não irá te contratar no mundo corporativo de você não fizer contato visual.”
Visitantes contam a White, com surpresas, que os alunos dela parecem com quaisquer outros alunos. O comentário que derrubam os estereótipos que se perpetuaram ao sul de San Diego, e a assunção de que crianças em desvantagem não podem superarr as circunstâncias, White diz. Eles podem, ela insiste, e com métodos como o Método Webster elas irão.
[1] Cidade na região central da Califórnia, no Vale de San Joaquin, região pobre do estado.
29.06.08

